Adrielle Barbosa de Aquino, de 27 anos, é mãe de duas crianças e atua como garçonete em um restaurante no centro do Rio de Janeiro. Desde que entrou no mercado de trabalho, há quase uma década, ela não conhece o significado de ter dois dias de folga na semana. A rotina desgastante da escala 6×1 tem sido uma constante em sua vida profissional, limitando seu tempo para cuidar da família e de sua saúde.
“Nessa escala, só tenho o domingo livre, que é o dia em que tento resolver tudo. Um único dia para tantas tarefas é desafiador, especialmente como mãe. É muito pesado”, desabafa Adrielle. Para ela, a recente aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 pelo Senado, que elimina essa jornada exaustiva, representa uma nova esperança de vida.
Um novo horizonte para o trabalho
A mudança na legislação, aprovada em 14 de outubro de 2026, oferece a perspectiva de mais tempo livre para descanso, lazer e, principalmente, para atividades essenciais como consultas médicas. Uma pesquisa realizada pela Nexus em fevereiro deste ano revelou que 73% dos brasileiros apoiam o fim da jornada 6×1.
Yasmin Nascimento, que ocupa a função de auxiliar administrativo, compartilha da mesma expectativa. “Com mais um dia de folga, teremos mais tempo para a família e para estudos. A aprovação da PEC é uma conquista importante”, afirma.
Para Cristiane Wandermuren, de 56 anos, a mudança é igualmente significativa. Trabalhando desde a adolescência e atualmente como ajudante de cozinha, ela anseia por mais qualidade de vida. “Se eu tivesse mais um dia de folga, poderia cuidar melhor da minha saúde e passar mais tempo com meus netos. O único dia livre não é suficiente”, conta.
Reflexões sobre o passado
Simone Cunha de Oliveira, que passou 15 anos na mesma escala, destaca como a mudança pode impactar a vida de muitos. “Agora, com duas folgas, a qualidade de vida é muito melhor. Com um único dia, não dá para resolver tudo”, explica. Ela espera que sua irmã, ainda presa à jornada 6×1, possa desfrutar de mais tempo livre em breve.
Maria Antônia de Carvalho, aposentada há 63 anos, relata que passou toda a sua vida laboral enfrentando essa rotina desgastante. “Era horrível não ter tempo para nada. Agora, me sinto livre e tenho mais tempo para mim e para a família”, celebra.
Novas regras e expectativas
Com a aprovação da PEC, as empresas terão um prazo de 60 dias para implementar a nova escala de 5×2, além da redução da carga horária de 44 para 42 horas semanais. A transição completa para 40 horas ocorrerá em um ano. Luciana Machado, de 65 anos, que também trabalhou por muitos anos na jornada 6×1, expressa preocupação com possíveis mudanças na carga horária, mas a legislação garante que o tempo de trabalho não aumentará.
As novas regras visam ajudar os trabalhadores a equilibrar suas vidas pessoais e profissionais, além de possibilitar um acompanhamento mais efetivo da saúde. O texto aprovado promete ainda facilitar a adaptação para micro e pequenas empresas, que poderão contar com medidas transitórias específicas.
Com a implementação dessas mudanças, espera-se que a qualidade de vida dos trabalhadores brasileiros melhore significativamente, refletindo em um ambiente de trabalho mais saudável e produtivo.
