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quinta-feira, 15 de outubro de 2026
Política

Aprovação do fim da 6×1 é vista como vitória política de Lula antes do 2º turno

Imprensa internacional destaca impacto da nova jornada de trabalho para milhões de brasileiros.

Aprovação do fim da 6x1 é vista como vitória política de Lula antes do 2º turno
Imagem ilustrativa gerada por IA

Recentemente, a aprovação do fim da escala 6×1, que reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, gerou grande repercussão na mídia internacional. A votação é considerada uma vitória significativa para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, especialmente em um momento tão próximo do segundo turno das eleições no Brasil.

O jornal espanhol El País destacou que essa mudança representa uma conquista para “dezenas de milhões de trabalhadores” e qualificou a aprovação como uma “vitória política para Lula”. Já o argentino Clarín enfatizou que a decisão seria uma “jogada política de Lula”, ocorrendo a menos de duas semanas da eleição. O La Nacion, também da Argentina, viu a votação como uma “grande aposta de Lula”, ressaltando a mudança de posição do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio, que se declarou a favor da proposta apenas 48 horas antes da votação.

Repercussão na mídia econômica

O Financial Times, conhecido por sua cobertura econômica, afirmou que os legisladores brasileiros “votaram para abolir uma semana de trabalho de seis dias na maior economia da América Latina”. O jornal considerou a votação uma “vitória para Lula”, mas também mencionou as críticas de grupos empresariais que temem um aumento nos custos operacionais. “A redução nas horas de trabalho deve alinhar o Brasil com nações de renda mais alta, onde as horas diminuíram à medida que a produtividade aumentou”, apontou.

O The Guardian também destacou a aprovação como uma vitória para Lula, propondo que a mudança pode beneficiar até 30 milhões de brasileiros. O jornal explicou que a proposta teve origem em um movimento chamado “Vida Além do Trabalho”, que ganhou força nas redes sociais e foi fundado por um assistente de farmácia que, após seu sucesso, entrou para a política e conseguiu o apoio do presidente.

Mudança de posição e apoio político

A imprensa internacional observou que Flávio Bolsonaro, que concorre contra Lula no segundo turno, inicialmente se opôs à proposta de emenda à constituição (PEC) que acaba com a 6×1. No entanto, ele alterou sua posição pouco antes da votação. Apesar de sua mudança, o candidato afirmou que “apoia algo ainda melhor”, referindo-se a uma proposta alternativa que defende há algum tempo, que prevê remuneração baseada nas horas trabalhadas.

A agência de notícias americana Associated Press (AP) informou que o único voto contrário à proposta foi do ex-vice-presidente Hamilton Mourão, que serviu durante o governo de Jair Bolsonaro. A AP também destacou que os aliados de Flávio Bolsonaro decidiram não obstruir a medida popular, visando não prejudicar sua campanha acirrada contra Lula.

Aprovação no Senado e detalhes da PEC

A PEC que extingue a 6×1 foi aprovada pelo Senado na noite de quarta-feira (14), com 75 votos a favor e apenas um contra. O apoio à matéria cresceu quando o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, decidiu pautar o tema. O líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante, afirmou que, se eleito, Flávio Bolsonaro deve aprovar uma proposta de contrato “por hora trabalhada”.

A nova PEC prevê um descanso remunerado de dois dias por semana, em uma jornada de trabalho máxima de 5×2, sem redução salarial, e estabelece um período de transição de 14 meses para a redução da jornada de trabalho. Após 60 dias da promulgação da emenda, as empresas deverão adotar a nova escala de 5×2, com uma jornada máxima de 42 horas semanais. Depois de um ano, a jornada será reduzida para 40 horas.